quinta-feira, 28 de julho de 2016

Do outro lado da fronteira

Eram pálidas as luzes que nos guiavam
e eu tinha frio.
Naquela portela de um homem só
Teu líquido escorrendo
erriçava-me a pele.
Galinha fiquei,
com a pele como a língua de um gato, saliências
que me tornaram áspera.
Gélida mas desperta,
de olhos fechados
Para o querer
Ali bem perto a fronteira.
Um passo
e estamos de um outro lado,
dizias, numa outra língua,
a mesma terra fria
debaixo dos meus pés.
Pergunto-me porquê.
ultrapassei a fronteira
o meu sonho era queda
a tua água
sobre o meu corpo
a provocar sensações.
E tu a guiar-me,
através dos caminhos,
com as luzes ainda pálidas.
Nos teus olhos
Nós
Ainda tenho frio.
Mas voltei
À distância de um infinito maior
Lado a lado
Do outro lado da fronteira

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